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Nos últimos dez anos, violência contra mulher aumentou no Maranhão.

De acordo com o Ipea, a violência no estado contra a mulher aumentou mais de 100% na última década. Estados como São Paulo e Rio tiveram queda.

De acordo com o Ipea, a violência no estado contra a mulher aumentou mais de 100% na última década.
Um levantamento do Tribunal de Justiçado Maranhão revelou que a maior causa da violência contra a mulher vem do inconformismo do homem com o fim do relacionamento. É o machismo, o sentimento de posse do homem sobre a mulher. Pensamento atrasado que não combina com a época em que vivemos. Será que isso é coisa do passado, mesmo? O homem moderno mudou o jeito de pensar? Números do mapa da violência divulgados este ano mostram que pelo principalmente no Norte e Nordeste do país a violência contra a mulher vem aumentando.

Os números de assassinatos de mulheres no Maranhão são os mais altos, de acordo com o Atlas da Violência, do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (Ipea). Foi o estado onde este crime mais cresceu entre 2005 e 2015, indo na contramão de estados como São Paulo, onde houve redução de 35%, e Rio de Janeiro, 28%. No Maranhão, o aumento foi de 130%. Foram mais de mil mulheres assassinadas no estado. Em Sergipe o aumento foi de 117%, Rondônia de 103%, Amazonas de 98%, Tocantins de 95%, Rio Grande do Norte de 95% e Pará, 81%.

Para esta psicóloga Artenira Silva, a aplicação mais eficaz da Lei Maria da Penha, criada em 2005 pra proteger mulheres vítimas de violência e punir agressores, poderia evitar que se chegasse a tantos assassinatos de mulheres. Segundo ela, a punição ao agressor deveria acontecer logo nos primeiros sinais de agressão: a violência psicológica.

Carla Cavalcanti, coordenadora da Justiça pela Paz em
casa, apresenta dados importantes sobre o tema.
“O nosso grande problema hoje é que a gente aponta que melhor seria um fator de prevenção para feminicídio seria a prevenção devida pra violência psicológica e moral que está na base da pirâmide. Começa acontecendo isoladamente e depois ela acompanha todos os outros tipos de violência. Nenhuma violência física e nenhum feminicídio acontecem à revelia da violência psicológica e moral. Se nós pudéssemos visualizar melhor a violência psicológica e moral, puni-la adequadamente, logo que ela começa a acontecer, nós teríamos uma possibilidade maior de prevenir o feminicídio”, disse a psicóloga.

Começou assim com a Andreia. Ela era uma mulher alegre, cheia de vida, mas que foi assassinada dentro da própria casa.

“O que mais dói é a maneira com que ela foi morta. Mutilada. Pedindo socorro. Os vizinhos todos escutando, mas ele trancou ela na casa. Quando os vizinhos invadiram já era tarde demais. Ele já tinha mutilado ela toda. Decepando mão, perna. Eu não gosto nem de lembrar disso. Se ela tivesse logo procurado à Justiça eu acho que não chegava a esse ponto, pois separava de uma vez. Ela ficou com esperança que ele mudasse”, disse Ana Paula Miranda, mãe de Andréia.

A juíza Suely Feitosa faz um alerta importante a todas as mulheres.

“A mulher não pode permitir esse tipo de comportamento. Um empurrão, um beliscão, ele pode sim estar configurando uma violência física. Então, essa mulher não pode permitir, não pode calar, ela tem que dar um basta logo no começo. O ciclo da violência cresce. Então, a medida em que isso não vai se limitando, não se dando um limite a esse tipo de agressão, ela tende a evoluir e se chegar a estágios graves como é o feminicídio”, disse a juíza da Vara da Mulher, Suely Feitosa.

Mulheres que pagaram um preço alto simplesmente por serem mulheres.

“Na verdade, essas relações violentas aumentam paulatinamente. Essas relações violentas começam com ameaças, com injúrias, com xingamentos, que evoluem pra agressões físicas, puxões de cabelo, empurrões, aí depois vem os socos, pontapés. O homem na sociedade machista em que a gente vive se acha dono da mulher”, avalia a delegada da Mulher, Wanda Leite.

"Ele me deu tapas no rosto, puxava meu cabelo, me chamava de vagabunda e uma série de coisas que ele falava. Aí eu pedindo pra ele 'por favor, por favor'", disse uma das vítimas.

Outra vítima recorda dos anos de sofrimento. "Foram 22 anos de convivência e quinze de puro sofrimento. Agredia de todas as formas. De todas que você imagina".

Uma das vítimas fala da mudança de comportamento do agressor depois que o casal resolveu morar junto. "depois que a gente veio morar junto ele começou com essas ameaças. Quando fica bêbado, ameaça que vai me matar, que vai cortar meu cabelo, meu pescoço".

"Eu sempre batia. Ela não podia dizer nada. Sempre eu era autoritário, tinha que ser do meu jeito. O que eu dissesse tinha que ser assim, tem que ser assim... se fosse o contrário já pegava porrada. Eu sempre fui assim", disse um agressor.

Do G1 Maranhão.