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Bonjardinense presa há mais de dois anos em Pedrinhas vence Concurso Nacional de Redação.

Detenta Daiane Camelo Duarte venceu o Concurso Nacional de Redação da DPU. Esperançosa, ela faz planos para o futuro.

“Educação é uma porta para tudo nas nossas vidas. Se você tem uma boa educação você tem um bom emprego. Você não vai se envolver com esse mundo de drogas”, é o sóbrio relato da jovem Daiane Camelo Duarte, de 26 anos.

Presa há dois anos e quatro meses, a jovem é vencedora do Concurso Nacional de Redação, promovido pela Defensoria Pública da União (DPU).  O concurso contou com a participação de estudantes da rede pública de ensino de todo o país. No Maranhão, envolveu cerca de 150 estudantes, de 20 escolas da rede estadual, concorrendo em diversas categorias, inclusive uma voltada para detentos.

Com a farda padrão da carceragem, encontramos com a jovem na sala da direção do Presídio Feminino que integra o Complexo Penitenciário de Pedrinhas. Aparentemente vaidosa, com cabelos soltos e batom avermelhado nos lábios, Daiane, que obteve nota 8,25 no concurso de redação, se diz muito feliz pelo reconhecimento. Para ela, o prêmio serve de incentivo para um recomeço.

“Valeu a pena meu esforço. Esse prêmio renovou minha esperança de um recomeço para minha vida lá fora. Se Deus quiser vai dar tudo certo. Através da oportunidade que eu tive, vou poder mostrar para a sociedade que eu estou querendo realmente uma mudança na minha vida. Para isso, a educação é fundamental. Eu me dediquei bastante, me dediquei muito. Sempre tive muita ajuda da minha professora, Raimunda”, relata a jovem.

Cumprimento da pena
Sentenciada a cumprir pena de nove anos e oito meses por crime de tráfico de drogas, a jovem de Bom Jardim, município localizado a 277 Km de São Luís, conta que tinha uma vida simples, que chegou a cursar o ensino médio e trabalhar como secretária do lar. Ela relata que se envolveu com o mundo do crime após o casamento.

“Quando casei eu larguei os estudos. A vida com marido você sabe como é, né? Ele entrou no mundo do tráfico porque estava desempregado e precisava sustentar a família. A gente morava com os pais dele e não tinha condições ou oportunidades de emprego”, conta.

Daiane diz que no começo resistiu ao dinheiro do tráfico. Hoje se arrepende do caminho que seguiu. “Quando começou tudo, eu não concordava, mas aí vai vendo o dinheiro fácil que você não precisa suar para trabalhar, aquilo vai lhe envolvendo cada vez mais. Quando você pensa que não, você já está envolvido. Mas não quero isso nunca mais para minha vida. Eu já aprendi bastante nesse lugar [Complexo de Pedrinhas]. Um dia que você passa aqui, nunca vale a pena”, conclui cabisbaixa.

Esperança
Com o reconhecimento obtido no concurso de redação, Daiane pretende continuar estudando, pois vê na educação uma esperança de dias melhores.

“Eu espero recomeçar minha vida, trabalhar, voltar a estudar. Eu tenho muita vontade de cursar uma faculdade. Eu cheguei a terminar meu ensino médio mas não tive oportunidade, quando estava lá fora, de concluir uma faculdade. Ainda estou em dúvida qual curso fazer, vou pensar um pouco mais sobre a escolha, diz Daiane.

A rotina na detenção Como forma de incentivo a ressocialização, o resídio feminino do Complexo Penitenciário de Pedrinhas oferece na parte da manhã, aulas de panificação, onde as internas fabricam salgados para eventos. Durante o período da tarde, são ministradas aulas do projeto de Educação de Jovens e Adultos (EJA), da Unidade Escolar João Sobreira de Lima, escola da Rede Estadual de Ensino.

Fonte: O Imparcial