Rádios comunitárias e livres lutam contra criminalização da atividade

Desde os anos 1970, as rádios sem fins lucrativos se multiplicaram pelo Brasil, seja como comunitárias, quando têm autorização para funcionamento, ou livres, termo que se refere àquelas que ocupam o espectro eletromagnético mesmo sem permissão legal. Desde sempre, a preocupação foi falar para públicos específicos, permitindo o debate e a discussão da cidadania.

Ainda hoje, quando o rádio para alguns se tornou coisa do passado, usar o transmissor para se comunicar é única opção para muitos grupos sociais. Para eles, é preciso valorizar a comunicação comunitária e livre, garantindo espaço e meios para que esses veículos possam multiplicar as vozes que circulam na mídia e produzir um conteúdo que, muitas vezes, não entra na agenda dos meios comerciais.

A batalha para manter os veículos de comunicação em atividade, entretanto, é dura. As organizações apontam que as rádios e os comunicadores têm sido criminalizados. Grupos que reúnem veículos de comunicação comunitária e livres, como a Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço), apontam dificuldades para a obtenção da outorga e criticam as restrições impostas pela Lei 9.612/98, que regulamenta o serviço. A lei proíbe veiculação de publicidade e estabelece limite de potência de 25 watts e abrangência de 1 quilômetro para a emissora comunitária.

Na ultima terça-feira (20/01/2014) a Rádio Atrativa FM foi alvo de mais um mandato de busca e apreensão de seus equipamentos. Na operação foi apreendido dois Transmissores de FM, um que matinha a emissora no ar e um outro que servia como reserva caso houvesse algum problema com o transmissor principal, uma mesa de som Behringer Xenyx X1204 Usb Mixer Com Efeitos, e dois Microfones Condensadores MXL-990. Além dos equipamentos apreendidos, a emissora sofreu sanção de multa no valor de R$ 2.392,08 por suposta infração ao artigo 163 da lei nº 9.472/1997.  O responsável pela emissora, Josivan Rodrigues estava em viagem com sua esposa cuidando de problemas de saúde, por esse motivo não pode recepcionar os argentes.

Segundo Josivan Rodrigues, já foram varias tentativas de fechar a rádio ou lacrar equipamentos. O comunicador reclama da situação, pois considera que a rádio não causa interferências. “É uma rádio de baixa potência, não há dano. A gente sempre buscou transmitir em uma frequência que não era usada por outra rádio. Isso é, a gente ocupava o espaço que estava vazio no espectro e a gente fazia a nossa transmissão com transmissores originais e homologados pelo órgão responsável”, disse.

Segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), os registros de processos dos últimos cinco anos mostram que 30 entidades autorizadas como rádio comunitária foram penalizadas devido à potência e 198 devido ao uso não autorizado de radiofrequência. O número pode ser maior, se consideradas as livres, mas não há dados sistematizados que apontem quantas emissoras foram fechadas ou o total de equipamentos apreendidos. Também não há informação exata sobre o número de integrantes das associações responsáveis por esses veículos que acabou sendo processado por comunicar.

Segundo a organização Artigo 19, essa criminalização ocorre porque existem legislações que preveem sanções criminais para o exercício da radiodifusão. A organização também avalia que a situação decorre da política de fiscalização, que reprime a atividade, e do entendimento judicial de que contra ela devem ser aplicadas sanções criminais e não administrativas. “A criminalização da rádio comunitária acaba acontecendo porque o juiz considera que, na possibilidade eventual de causar algum dano a outros meios, é justificável atribuir uma pena criminal a esse comunicador”, avalia a advogada da organização, Karina Ferreira.

Na opinião de Karina, as leis que tratam do tema, como o Código Brasileiro de Telecomunicações, de 1962, estão defasadas e não se referem diretamente à prática da rádio comunitária, mas sim ao exercício clandestino da prática de telecomunicações. Por isso, na opinião dela, essas leis não deveriam ser tomadas como base de um processo penal contra as emissoras.















    

 
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